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Insecure: a série da HBO e a importância da representatividade

Há um tempo, zapeando no HBO Go encontrei uma série com uma protagonista negra que me chamou atenção. Olhei os episódios e sinopse rapidamente e notei que tratava-se de poucos – 8 episódios na 1ª temporada – e por isso, já me joguei. A série em questão chama-se ‘Insecure’ e fala sobre a vida de Issa Rae e sua amiga Molly. Ambas negras, as duas passam por situações amorosas, profissionais e sociais que passeiam pelo cômico e o desconfortável e (quase) sempre relacionadas à sua cor de pele.

 

De cara, eu já viciei na série e consegui terminá-la em 24h. E ela me cativou de primeira. Mas por que os personagens eram negros? Também! Séries como ‘Scandal’ e ‘How To Get Away With Murder’ já estão aí para nos mostrar como os negros podem sim estar à frente das séries em horário nobre. Mas o que me chamou atenção em ‘Insecure‘ são as situações ali representadas. Elas são bem próximas da realidade dos negros e é algo que ainda falta na teledramaturgia – internacional e nacional.

 

 

Apesar de sempre se ver como Olivia Pope, sabemos que não é todo dia que conhecemos alguém que se apaixona pelo presidente dos EUA e tem uma cena de amor em plena sala oval da Casa Branca, né? haha Mas debater sobre como é ser a única negra em um ambiente de trabalho ou como encontrar um namorado negro da mesma classe profissional que a sua levanta questões que são bem reais ao nosso cotidiano mas ainda pouco conversadas. E por isso tudo, essa pequena série é tão importante para a nossa história, para a nossa resistência.

No próximo domingo (23/07), Insecure estreia sua 2ª temporada já garantindo altos debates nos Estados Unidos. Sem entregar spoilers, mas debates amorosos sempre rendem altos debates, não é mesmo? Então, se você procura por uma novidade black entre as suas séries, eis a indicação. De qualidade.

 

Vai ter representatividade, sim! 😉

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Pra ficar de olho: O Topo da Montanha com Taís Araújo e Lázaro Ramos

Fizemos um post a oito mãos para mostrar como podemos ter visões diferentes de um mesmo assunto. Nosso time (maravilhoso! ♥) foi assistir a peça ‘O Topo da Montanha’, peça estrelada por Taís Araújo e Lázaro Ramos. Com temporada curta no Rio, corremos para garantir nossos lugares e atestar o talento desse casal que vem bombando em todos os meios e redes. Confira o que cada um achou do espetáculo. E fica a dica: se a peça passar pela sua cidade, corra e garanta o seu ingresso!

O Topo da Montanha é uma das melhores peças que já assisti pelo conjunto da obra. – por Rebeca Maia

Sempre fui apaixonada pelo trabalho do Lázaro e já me emocionei incontáveis vezes com ele, por isso, não foi surpresa me emocionar novamente em O Topo. No entanto, dessa vez foi a Tais que me arrancou lágrimas, inesperadamente. De tudo que já vi essa atriz interpretar, na minha opinião é seu melhor trabalho.

O texto é maravilhoso e surpreendente. Nos faz rir, chorar e, principalmente, questionar: como eu me posiciono na vida em relação ao racismo e a história e luta do negro, sendo você negro ou não. E, por fim, o público, em grande parte negro, que se faz parte integrante da obra, e foi ao teatro prestigiar não só a arte, não só esses dois artistas ícones de sua geração, mas também a sua história.

Assistir O Topo da Montanha foi uma experiência emocionante e bastante reflexiva. – Por Luana Furtado

Mesmo a peça sendo retratada na década de 60, o diálogo é super atual com a situação que vivemos agora, com diversos cenários de preconceito e violência contra o negro. A sensação de pertencimento já se fazia antes mesmo da peça começar. Diferente das demais peças de teatro onde a maioria do público é branco, dessa vez eles eram a minoria. E foi expressivo ver um público que têm os seus antepassados envolvidos nessa história de dor, sofrimento e violência, em um espaço para conhecer ainda mais a história de vida e morte de um dos principais líderes do movimento negro.

A cena que mais chamou a minha atenção e me deixou com os olhos cheios d’água foi quando Tais Araújo subiu na cama e simulou um diálogo que Martin Luther King deveria fazer. Ela fala das mortes de pessoas negras, pelo simples fato da cor da cor da sua pele, fala da relação de ódio e paz que os negros sentem pelos brancos, que ao mesmo tempo que eles têm a sua carne marcada pela violência do homem branco, ele não pode devolver violência com violência (mas como esse gesto é humanamente difícil na prática). Vale a pena assistir, se emocionar, refletir e ser mais um para segurar o bastão nessa luta por igualdade!

Foto: Jorge Bispo

Vejo o título da peça como uma analogia perfeita pra situação atual do negro no Brasil. – Por Bernardo Feitosa

Tive certa dificuldade para escrever sobre o Topo da Montanha, porque vejo que isso pode reduzir todo o espetáculo em apenas um drama bem executado por dois atores incríveis. Só que a peça é muito mais do que isso! Pra mim, um dos grandes méritos da peça é que, ainda que tenham recorrido a história, o que muitas vezes acaba dificultando o entendimento, a trama tem um excelente e didático texto escrito de preto pra branco.

A peça é recheada de elementos chave! Curiosamente, o primeiro deles está fora do palco: uma platéia formada quase que na totalidade por negros. Num país que 200 anos depois ainda insiste em afirmar (e por consequência deslegitimar a luta) que não existe racismo por aqui – mas que segue firme na sua missão segregadora-, o espetáculo mostrou que o lugar do negro pode ser, sim, dentro de teatros e outros ícones dessa elite cultural branca. Outro ponto alto foi ter visto citações a veículos e canais contemporâneos que informam e debatem sobre o tema. Fez a gente lembrar que a passos largos, estamos mudando ano após ano.

Há muitos caminhos para se absorver o que esse espetáculo ensina. Talvez eu tenha ido pelo mais doloroso, mas fui consciente. O que posso dizer é que Taís Araújo e Lázaro Ramos, Lázaro Ramos e Taís Araújo, mostraram que o lugar do negro DEVE ser O Topo da Montanha.

P.s.: Lázaro Ramos, te amo!

P.s.2.: foi difícil falar sobre a peça sem dar spoiler.

A mensagem é simples mas bastante poderosa – por Taís Guimarães

Quando soube da estreia da peça no Rio, corri para garantir os ingressos da peça que prometia muito desde a divulgação. No dia da apresentação, notei que não só eu como muitos negros também foram atraídos pelo mesmo propósito: assistir a uma peça com dois atores negros e que contava a história de um símbolo da cultura negra do mundo. Era bem claro ali como a representatividade foi, é e continua sendo importante na nossa sociedade.

Sobre a peça, é incrível como conseguimos nos surpreender com um contexto que já é bastante conhecido por todos. Com uma visão mais brasileira dos fatos e com uma linguagem bem familiar “aos irmãos”, vi um casal não só em cena mas que também vive em perfeita sintonia. Bastante afiados, Taís Araújo e Lázaro Ramos estão incrivelmente supreendentes nos papéis de Camae e King.

A mensagem é simples mas bastante poderosa, já que o bastão citado na peça é algo que precisa ser passado adiante. E com certeza após assistir ao ‘Topo da Montanha’, cada pessoa compreende a importância desse ato. Desejo sempre que o sonho de King não fique apenas no imaginário, mas seja real a todos nós.