Comportamento

Porque decidi fazer intercâmbio

 

Intercâmbio nunca foi um sonho pra mim. Na verdade, surgiu uma pequena vontade lá pelos 16, 17 anos, mas logo passou. Sempre tive uma vida confortável no Brasil e, quando me formei em Comunicação em 2009, voltei a morar no Rio e fui construindo minha carreira profissional. 6 anos, 5 empresas e uma forte queda de cabelo causada por stress depois, fui demitida e não tinha ideia do que fazer a partir dali. Eu sabia que não sentia mais prazer em trabalhar com Comunicação, mas também não sabia fazer outra coisa. Até pra escrever aqui no blog eu sentia um bloqueio gigante e tudo era desculpa para não fazê-lo.

Depois de 1 ano vivendo meio que sem por quê e sem a menor ideia de que rumo dar à minha vida, reencontrei um amigo que aos 28 anos estava largando seu emprego relativamente estável como engenheiro em uma grande empresa de São Luís – MA para morar na Austrália. Foi quando minha mãe sugeriu – “Você deveria fazer o mesmo, espairecer, aprender coisa nova”. E eu pensei – “Por que não? Nem emprego eu tenho, quem dirá relativamente estável”! Aquela ideia foi tomando forma na minha cabeça e eu me animando com o assunto. O que antes parecia absurdo, virou um plano real com data pra acontecer: abril de 2017.

O dinheiro vinha sendo guardado pra comprar um imóvel no Rio. Quer mais estabilidade que uma casa própria? Mas tá… e depois? Coloca todas as suas coisinhas dentro da casa, senta e chora por não estar feliz com a vida que está levando? Fui chamada de louca porque desde criança somos ensinados que sucesso é terminar a faculdade, trabalhar incessantemente, casar, ter filhos e ter seu carro e casa próprios. Só esquecem de avisar que, muitas vezes, não é isso que vai nos fazer feliz.

Estou prestes a completar 1 ano de Austrália e não houve um dia sequer que me arrependi da decisão de vir pra cá. Não estou dizendo que é fácil. É difícil, e muito. É difícil viver longe da família e dos amigos, é difícil viver longe da comidinha de casa brasileira, é difícil querer se comunicar e faltarem palavras por ainda não ser fluente em inglês, é difícil se despir da marra de graduada que trabalhou a vida inteira em escritório pra agora fazer faxina em hotel, lavar louça em restaurante, ser entregador de pizza.

Mas também é tão bom voltar a sentir o friozinho na barriga de coisa nova, conhecer pessoas – algumas incríveis, outras nem tanto, mas que vão servir pra te ensinar algumas coisas também -, aproveitar todas as oportunidades pra viajar e conhecer lugares novos, estabelecer uma nova relação com o dinheiro – que você nunca teria aprendido no Brasil -, sentir àquela sensação estranha de “to do outro lado do mundo, em um lugar que nunca vi, rindo com pessoas que mal conheço” e sentir um puta orgulho da sua coragem. Sim, coragem. É isso que a gente precisa pra fazer um intercâmbio, especialmente aos 30.

 

“Porque não existe nada melhor do que dar um F5, atualizar a página e ver que nunca é tarde pra fazer diferente, pra sorrir de verdade, pra aprender, se conhecer, viver fora da sua zona de conforto.”

 

Portanto, se você me perguntar agora por que eu decidi fazer o intercâmbio, vou ficar te devendo uma resposta. Mas se você quiser saber se valeu a pena e se eu estou feliz, a resposta é mil vezes sim. Porque não existe nada melhor do que dar um F5, atualizar a página e ver que nunca é tarde pra fazer diferente, pra sorrir de verdade, pra aprender, se conhecer, viver fora da sua zona de conforto. Sabe aquela sensação de andar, andar, andar e não aguentar mais? Às vezes, pode ser só o sapato apertado. Tire-os e, descalço, você pode caminhar mais do que consegues imaginar.

 

 

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