Cultura Negra Moda

Laboratório Fantasma: Representatividade no SPFW

24 de outubro de 2016: Essa data entrou para a história da moda. O dia que os negros REALMENTE puderam se sentir representados em um desfile de uma das principais semanas de moda do mundo, o SPFW. Ao som de Emicida, a passarela do Laboratório Fantasma foi tomada por um casting com modelos negros e plus size. Estereótipos que não se veem representados no mercado da moda e se tornaram assunto do dia e da semana.
Mesmo assistindo ao desfile pela internet, fiquei completamente arrepiada e emocionada. Uma sensação única com cada verso da trilha, com cada passo forte dado na passarela, com cada expressão significativa no rosto de cada modelo (e com certeza cada um deles tem uma história para contar sobre preconceito racial e ficou orgulhoso por estar representando a sua raça em um ambiente que infelizmente ainda é tão excludente).

Yasuke é o nome de um samurai negro no século XVI e nomeado como o nome da coleção que mescla inspirações africanas e orientais a partir de modelagens do quimono japonês.
“Hoje é dia da favela invadir o Fashion Week” e “Fiz com a passarela o que eles ´fez´com a cadeia e com a favela: enchi de preto!”. Essas foram as frases que encerraram e lacraram o desfile. Se você ainda não assistiu, aperta o play!


Além do desfile da lab dos irmãos Emicida e Evandro Fióti, também tivemos outro lacre nesa edição com o desfile de Ronaldo Fraga, com um casting composto totalmente por modelos trans. O objetivo do estilista não era exibir a coleção como protagonista, e sim quem estava vestindo. O manifesto político/social foi desfilado ao som de “Bandolins” de Oswaldo Montenegro.


“Se aqui estamos falando do corpo como prisão do desejo, a roupa funciona como chave.”
“Para todos, a roupa deveria ser um leitor de apropriação do ser. Ela é capaz de libertar como um simples uso da primeira saia, do primeiro salto, do primeiro batom e de outros códigos que se alinham direta ou inexplicavelmente com o ser. Esse ser que muita gente chama de alma.”
A 42ª edição do SPFW surgiu com um prefixo trans, que traduz a vontade de transformação, transição e transgressão da moda. E diante de tantos momentos históricos-sociais representativos, também podemos considerar essa edição como revolucionária, inteligente e com quebra de paradigmas. E está sendo lindo acompanhar esse momento!

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