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Crítica: A Frente Fria que a Chuva Traz 

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Quando eu escolhi A Frente Fria que a Chuva Traz para assistir durante o Festival do Rio, eu sequer prestei atenção na sinopse. Me deixei seduzir pelos nomes promissores de Bruna Linzmeyer e Johnny Massaro e apenas me entreguei. As primeiras cenas me conquistaram. As patricinhas que sobem o morro por alguma diversão. Pensei “vai ser bom…” E tinha tudo pra ser. O argumento do filme dá pano pra manga. A juventude rica criada longe da atenção dos pais e muito perto dos seus cartões de crédito, vivem uma vida fútil, sem objetivos, regada a muitas drogas para fugir do vazio que é ter tudo que se quer. Filmaço, né? Tinha tudo pra ser.

O elenco afinadíssimo. Chay Suede que, em “Jonas” (que também estreou no Festival do Rio 2015, porém filmado há 3 anos) aparece em 2 cenas sem achar o tom, cru e afoito, em A frente fria que a Chuva traz mostra estar muito à vontade com seu personagem e rouba a cena muitas vezes. As atrizes que interpretam as patricinhas, apesar de desconhecidas do grande público, se destacam no filme com ótimas interpretações. Até o exagero de Juliana Lohmann é convincente. Você pensa “realmente existe gente assim”.


No entanto só faltou uma coisa, apenas A coisa: um bom roteiro. E se você pensa que basta um bom argumento e um elenco afinado para se ter um bom filme, em “A frente fria…” você entende como faz falta um bom roteiro. O filme todo se desenrola em frases rasas com 90% de palavrões gratuitos. Os diálogos não dizem a que vieram. Não é porque o diálogo é uma conversa vazia entre meninas fúteis, que o roteiro precisa ser vazio. O personagem pode ser o mais babaca, em um bom roteiro, o espectador vai entrar na história e sentir alguma coisa, seja paixão ou antipatia pelo personagem. Em “A frente fria…” a gente não consegue sentir nada. Só pena por ver dois atores maravilhosos como Bruna e Johnny usando toda sua energia de criação em uma história que não comove, não interage, não causa qualquer reação na plateia. Até o personagem Gru (Flávio Bauraqui), que tinha a faca e o queijo na mão pra ser a leveza do filme, as cenas despretensiosas com tiradas inteligentes retratando o abismo social entre ele e os demais, não faz sentir nada, não nos faz sair do cinema pensando nele.

Por fim, uma das últimas cenas do filme na qual Bruna mostra que dá um show até se for pra recitar uma receita de bolo, o texto ainda encharcado de palavras esdrúxulas, acha por bem que ela apenas xingue o Rio de Janeiro, ao invés de colocar ali, naquela interpretação impecável, toda a argumentação do filme, o abismo social, o ter e não ter, o fingir que tem, a fuga da realidade cada vez mais constante, a falta de limites e o vazio constante de toda uma geração.

Desse filme, eu levo a certeza que uma nova safra de atores fantásticos estão se consolidando no nosso país e o desejo de que, em uma próxima oportunidade, eles tenham a sorte (e nós também) de encontrar um roteiro digno das suas interpretações, do cinema brasileiro e do nosso precioso tempo.

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