Lado Bê

Lado Bê: Imagine um país

Exercitar a mente é muito importante. É através de alguns exercícios mentais que podemos atenuar ou impedir algumas doenças cerebrais, além de obter grandes benefícios, que vão de boa memória até melhora na aprendizagem. Como contestar, refletir, criar novos panoramas nem sempre é tão fácil, nesse dia 20 de novembro, convido a um dos mais simples exercícios mentais: a imaginação. Por isso, peço que você imagine um país com as seguintes características:

  • Imagine um país onde jovem negro tem 2,5 mais chances de ser assassinado que um jovem branco. (ONU, em parceria com a UNESCO, Secretaria de Saúde e Ministério da Justiça);
  • Imagine um país em que a renda média de um negro é 40% menor que a da população branca;
  • Imagine um país onde a taxa de analfabetismo é duas vezes maior entre a população negra em comparativo com as demais;
  • Imagine um país onde uma das maiores universidades do país (USP) insista em não adotar o sistema de cotas, mesmo com significativos resultados mostrados em outras universidades;
  • Imagine um país que em 10 anos (entre 2003 e 2013), tenha apresenta um aumento de 21% no número de feminicídios. Agora imagine que esta porcentagem sobe para 54%, quando se trate de mulheres negras. (Flacso Brasil);
  • Imagine um país onde uma passeata de mulheres negras seja recebida a tiros por um policial civil.

Bem, você provavelmente está lendo esse texto desse exato país, pois esse lugar é o Brasil. Muito mais do que chocar, a violência traduzida em números serve para provar e comprovar a necessidade de assumir responsabilidades e buscar mudanças. Diante de tantos dados – e acredite, existem muitos outros igualmente chocantes – surgem algumas perguntas: é justo que se fale, ainda em 2015, que não existe racismo no Brasil? É correto reproduzir a balela “deveríamos ter um dia consciência humana e não da consciência negra”? É correto, quando se debate sobre cotas, afirmar que esse sistema só vai gerar mais desigualdade e privilégios para um grupo que não deveria ter-los?

A recusa que a sociedade muitas vezes tem em aceitar a realidade desigual que a população negra sofre nesse país não é fruto de uma inocência ou ignorância político-social. A cada dia que passa, tenho a total certeza de que é só reflexo de uma sociedade de mentalidade branca que não quer um Brasil igual e justo. E isso já faz mais de 500 anos.

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