Puxa Uma Cadeira

Puxa uma Cadeira: Slash versus Stephen Hawking

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Semana passada, durante uma conversa casual em mesa de bar sobre bandas não serem as mesmas com a saída de determinado membro, eu lastimei a saída do Slash do Guns N’ Roses. Uma amiga, completou: “mas ele já morreu há muito tempo!”. Não, gente, calma, vamos lá: o Slash está vivo e é meu guitarrista favorito.

Mas sabem aquela sensação de ouvir uma frase boba, que poderia passar despercebida em meio a tantas outras trilhões de frases, mas justo aquela cisma em ficar martelando na sua cabeça? Eu não entendia bem o por quê, só sei que, ouvir de alguém que o Slash estava morto – há muito tempo – mexeu comigo.

Uma semana passou e hoje fui ao cinema assistir A Teoria de Tudo (The Theory of Everything), pelo simples fato de querer conferir a atuação de Eddie Redmayne que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator. Lá pelo meio do filme, no nascimento do segundo filho de Stephen Hawking, eu comentei com meu namorado: “Pô, pra quem só ia viver mais dois anos, até que ele demorou a morrer”. Meu namorado me olhou estranho e disse: “Stephen Hawking está vivo”. Really?

De repente, a pseudo morte do Slash fez todo sentido. Ele não é o guitarrista preferido da minha amiga e Guns não é uma das bandas que ela mais ouviu na adolescência. Assim como eu nunca tirei nota superior a 4,0 em física e tudo relacionado à física sempre foi um bicho de sete cabeças pra mim – e continua sendo. Talvez, por isso, não saber quem era Stephen Hawking nunca me fez falta, ao contrário do Slash, que embalou solos de guitarra em milhares de momentos da minha adolescência e serei eternamente grata pelo que ele me faz sentir até hoje quando ouço November Rain.

Entender e assimilar que a cultura na qual estamos inseridos faz um efeito único em cada indivíduo é, por seguinte, conseguir se despir de todo e qualquer julgamento ao não entendimento ou não conhecimento do outro. Pense que, na fila do supermercado, o cara de trás pode estar escrevendo sua dissertação de mestrado sobre Walter Benjamin, a moça da frente pode ser presidente do fã-clube do Fábio Jr. e a mulher do Caixa ser uma especialista em Nail Art. E você, nunca leu O Narrador, só conhece “Alma Gêmea” do Fábio Jr., e não consegue sequer limpar o esmalte da mão que escreve sem borrar.

Porque cada um tem a sua bagagem, suas histórias, suas memórias, os lugares por onde passou, os livros que leu, as músicas que cantou, as lágrimas que chorou e as felicidades que sorriu. Então, se o Slash já morreu pra minha amiga, tudo bem. O Stephen Hawking nasceu hoje pra mim, e quem vai mudar isso na minha história?

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1 Comment

  • Reply
    Valeria Maia Lameira
    28 de agosto de 2015 at 00:45

    Amei Rebeca! … Dar algum sentido a vida é expulsar de você toda energia que excede. Confio muito!

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